Exaustor i100 com persiana Climabrisa

Exaustor para cozinha industrial: como dimensionar a exaustão de gordura, calor e vapor

Cozinha profissional é o ambiente mais exigente em ventilação que existe num estabelecimento comercial. Ali se juntam três coisas ao mesmo tempo: calor de chapas, fornos e fogões; vapor de cocção; e gordura em suspensão, que gruda em tudo por onde passa.

Resolver isso com um exaustor genérico na parede não funciona. A exaustão de cozinha se projeta a partir da fonte de calor, e não do ambiente inteiro.

Por que a conta começa na coifa, não no salão

A gordura e o vapor sobem em coluna a partir do equipamento. Se forem capturados onde nascem, não se espalham. Se escaparem, vão se depositar no teto, nas paredes, nas luminárias — e no salão, junto com o cheiro.

Por isso a captação acontece na coifa, posicionada sobre fogões, chapas, fritadeiras e fornos, e o exaustor é dimensionado para dar conta da vazão que essa coifa exige.

Vazão da coifa (m³/h) ≈ perímetro de captação (m) × altura livre até o equipamento (m) × fator de captura × 3.600

Na prática, trabalhamos com faixas de referência por tipo de equipamento:

Equipamento sob a coifa Exigência de exaustão
Fogão e banho-maria Moderada
Chapa e grelha Alta — muita gordura em suspensão
Fritadeira Alta — gordura e vapor quente
Forno combinado Alta em picos, com muito vapor
Churrasqueira e forno a lenha Muito alta, com fuligem

O ambiente também precisa de trocas de ar

Além da captação sobre os equipamentos, o volume da cozinha pede renovação geral, na faixa de 30 a 40 trocas por hora. É isso que impede o calor residual de se acumular e torna o ambiente suportável para quem trabalha oito horas ali dentro.

Uma cozinha de 8 m × 6 m com pé-direito de 3 m tem 144 m³. A 30 trocas/hora, são 4.320 m³/h apenas de renovação de ambiente — somados à vazão das coifas.

Reposição de ar: o ponto que causa reclamação

Se a cozinha tira 6.000 m³/h e não há entrada equivalente, o ambiente fica em pressão negativa. Os sintomas são clássicos e quase sempre atribuídos a outra coisa:

  • Portas pesadas para abrir ou que batem sozinhas;
  • Chama do fogão instável;
  • Cheiro de cozinha puxado para o salão, em vez de sair pela coifa;
  • Ralos exalando odor;
  • Exaustor barulhento e com vazão bem abaixo do esperado.

A correção é prever ar de reposição: entrada dedicada, com veneziana ou insuflamento, trazendo ar de fora em volume próximo ao que sai. Em cozinha, essa entrada precisa ser planejada — não dá para contar com a porta do salão, porque é justamente por ali que o cheiro vai viajar.

Gordura muda a manutenção, não só o equipamento

Gordura é o que separa a exaustão de cozinha de qualquer outra. Ela se deposita nas pás, nos dutos e nos filtros, reduz a vazão progressivamente e é risco de incêndio quando acumulada.

O que consideramos mínimo numa operação séria:

  • Filtros metálicos na coifa, laváveis, limpos com frequência semanal ou quinzenal conforme o volume;
  • Acesso para limpeza no duto — duto fechado sem portinhola é problema garantido lá na frente;
  • Revisão periódica das pás do exaustor: hélice engordurada perde vazão sem dar nenhum sinal visível;
  • Material resistente, especialmente no litoral, onde a maresia acelera a corrosão.

E o salão? É outro problema, com outra solução

A exaustão resolve a cozinha. O salão, onde ficam os clientes, é outra conversa: ali o que incomoda é o calor que sobra e a falta de movimento de ar, e a solução costuma ser climatização, não exaustão.

Para restaurante em Salvador, a combinação que costuma funcionar é: exaustão bem dimensionada na cozinha, para o cheiro não migrar; e climatizadores no salão ou na área externa coberta, onde há gente sentada por bastante tempo. Em área externa e varanda — muito comuns aqui —, o climatizador evaporativo trabalha bem justamente porque o ambiente é aberto e há renovação natural de ar.

Em varanda e área externa coberta — muito comuns em Salvador —, o climatizador trabalha no ambiente para o qual foi feito: espaço arejado, com renovação constante e ar em movimento sobre as mesas. É assim que dimensionamos o salão e a área externa.

Checklist para pedir um projeto

  1. Medidas da cozinha e pé-direito;
  2. Lista dos equipamentos de cocção e as dimensões de cada coifa;
  3. Quantas refeições por serviço, e em quantos turnos;
  4. Por onde o ar pode entrar hoje;
  5. Se há queixa de cheiro no salão — é o sintoma que mais revela pressão negativa.

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